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O
designer de jóias tem hoje o mercado em sua melhor fase no Brasil,
um aumento no número de cursos de formação na área e um alargamento
do campo de trabalho, com novos materiais e técnicas de produção.
Por outro lado, há ainda desvalorização do trabalho artístico das
jóias, dificuldades para se fazer parte deste mercado “global” que
tanto cresce e um grande desrespeito dos direitos autorais (veja o
texto ao lado).
Vendas – “A recente difusão da joalheria brasileira no
exterior, o amadurecimento de eventos de grande porte e o aumento da
demanda pelo profissional de design” são os principais fatores que
levam hoje o mercado joalheiro a seu auge. Quem diz isso é Kátia
Faggiani, Doutoranda e Mestre em Design pela PUC-RJ, consultora do
site portaldasjóias.com.br e professora no curso da Universidade
Estácio de Sá-RJ, que vê esse crescimento aliado ainda a uma
revolução feita pela própria joalheria, “criando novas peças que
antes não eram jóias e hoje são vistas como tal”.
Kátia
diz que o mercado teve “um crescimento explosivo em 2004,
totalizando US$ 1.970 bilhão em vendas, no Brasil e no exterior” e,
de acordo com pesquisadores, “a exportação de jóias brasileiras tem
potencial para crescer até 350%”.
Para quem começa um trabalho independente e tenta entrar nesse
mercado, surgem algumas barreiras. “Abri meu próprio negócio, mas as
maiores dificuldades estão em me desdobrar entre criar, produzir e
comercializar”, diz Elisabeth Roccato - filiada AUTVIS, que trabalha
há dois anos como designer de bijoux. Suzane Farias -filiada AUTVIS,
também designer, reclama da “falta de valorização e de
reconhecimento por parte do consumidor e da indústria”. “Falta
cultura com relação ao que representa o Design no mercado.”
Formação – O desafio é formar um profissional que
atenda exigências do design, da arte e do mercado. “Acho
imprescindível que um curso de design de jóias não dê ênfase apenas
à habilidade artística, mas também às habilidades mercadológicas e
empreendedoras”, diz Kátia. Ela completa que, atualmente, cresce o
número de escolas e cursos de graduação e pós-graduação em todo o
mundo, destacando as escolas estrangeiras ‘’Jewelry and Design
School’’, na Itália, ‘’ARCO’’, em Portugal, ‘’Parsons School of
Design’’, nos EUA, entre outras.
Mas grande parte dos profissionais que trabalham nessa área não tem
formação acadêmica. Elisabeth é um deles, formada em Publicidade,
optou por design de bijoux como atividade profissional. Suzane,
formada em Direito, quando decidiu seguir a carreira de designer de
jóias, teve que ir de Fortaleza, onde mora, a São Paulo. ‘’Aqui em
Fortaleza não temos nenhum curso da área.’’
Outra opção muitas vezes é fazer cursos voltados apenas para a
habilidade artística. Mary Blue - também filiada AUTVIS - fez cursos
de cerâmica e vidro, e trabalha há 10 anos nesse mercado, expondo
seus trabalhos todos os sábados na Praça Benedito Calixto, em São
Paulo.
Artistas – ‘’Quem conhece meu trabalho, me
reconhece como artista’’, diz Elisabeth Roccato, que acha que
‘’habilidade artística e senso de proporção, forma e cor são
vitais’’. Mary Blue diz que é como artista sim que ela se encaixa,
‘’pois quando sento em minha bancada é pura emoção, experimentação,
acertos e erros e ‘uma conversa com a matéria-prima’, como já ouvi
dizer de alguns joalheiros’’.
Para a professora de design de jóias, Kátia Faggiani, a aproximação
do design de jóias com a atividade artística não é correta. ‘’O
designer de jóias ‘artista’ não está criando um produto
mercadológico, mas sim uma obra de arte, que muitas vezes não pode
ser usada por questões ergonômicas, de qualidade ou outras questões
de mercado’’, diz.
Suzane Farias, que atualmente cursa Artes Plásticas, diz que ainda
se valoriza pouco o design em si. ‘’As pessoas querem saber do valor
das pedras, o peso do ouro e consideram isso fator essencial na hora
da compra. O trabalho está sendo colocado para as pessoas como arte
antes de tudo.’’
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